Em porcentagens, a agricultura foi responsável pelo consumo de 70% da água doce do mundo, 38% do uso da terra e 14% das emissões de gases estufa. “A produção de comida está envolvida com o alto consumo de água, a superexploração dos pescados e a poluição. Tanto as emissões de gases poluentes quanto a exploração da terra estão intimamente ligadas ao tipo de dieta. Os produtos animais, carnes e laticínios, em geral, requerem mais recursos e causam maiores impactos do que os alimentos vegetais”, concluíram os pesquisadores. Além do consumo dos produtos de origem animal, o UNEP condenou os combustíveis fósseis, como o petróleo, e as frutas e os vegetais não sazonais preservados em freezers ou transportados em aviões que também contribuem para a emissão de gases poluentes.
Para piorar as expectativas, os pesquisadores estimam que esses impactos cresçam devido ao crescimento da população e do consumo de produtos de origem animal. Isso porque, segundo o relatório, ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil oferecer alternativas quando o assunto é alimentação: “Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta eliminando produtos animais.” Para Achim Steiner, diretor da UNEP, uma simples pergunta como “o que eu posso fazer primeiro?” é mais complexa do que os consumidores interessados em preservar o ambiente podem imaginar. “A solução para esse dilema começa com a avaliações científicas que identificam os maiores problemas ambientais do século 21. E termina com uma avaliação individual de nossas atividades diárias, se quisermos realmente uma economia verde nos países desenvolvidos e em desenvolvimento”, avaliou.
Além da produção e consumo de alimentos, o relatório analisou os impactos causados pela construção civil, transportes e produtos manufaturados, principalmente os eletrônicos. Entre os problemas das edificações, os analistas apontam para os impactos provocados pelo uso de eletricidade baseada em combustíveis fósseis. Enquanto que nos transportes o maior problema ainda são os veículos particulares. “Apesar de ainda serem pequenas, as emissões provenientes da aviação vêm crescendo rapidamente e ocorrem nas camadas mais altas da atmosfera, que são mais vulneráveis às emissões”, apontou a avaliação. “Esse relatório focou não nos efeitos da pressão ao meio ambiente, mas nas causas. Ele descreve essas pressões como resultado das atividades econômicas que são realizadas com um propósito, satisfazer o consumo”, explicou o professor Edgar Hertwich, principal responsável pela pesquisa. Foi ele também que afirmou que os produtos animais causam mais dano que produzir minerais de construção, com areia e cimento, plásticos e metais. “Biomassa e plantações para animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis.”
Para ler o relatório na íntegra em PDF (disponível no momento apenas em inglês), acesse o endereço: www.alturl.com/fj3p. Ou leia mais na página 52.

