Sim. Isso aconteceu comigo. Não pensei duas vezes e mandei a tirinha lá pra o Blog do Fu
Blog -- experimental -- de Cleydyr Bezerra, membro da banda Zamburrê, pra falar de poesia, sentimento, música regional e outras vertentes decentes da música. Tudo isso com uma cuia de farinha pra se degustar melhor.
Mas tu é quem?
- Cleydyr 'Zambo' Bezerra de Albuquerque
- Jovem, estudante de Ciência da Computação na UFPE. Tem sede de conhecer e de ser conhecido pelas suas idéias. Esqueça a exatidão e o método; venho mostrar minha cara, minha música, minha poesia, meu âmago escancarado e arreganhado.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Pixel-crônicas do dia-a-dia
Sim. Isso aconteceu comigo. Não pensei duas vezes e mandei a tirinha lá pra o Blog do Fu
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
O homem louco*
O homem louco aparece
E quebra o silêncio da sala
Por tempos viveu afastado
Dessa cena onde a arma é a fala
Ele espera um dia saber
E um dia saber esperar
Mergulhado em prazer solitário
Sua imaginação ameaça
O saudável irmão tem medo
Que seu grito arranque a mordaça
Procurado, vendido, perdido
Ele aqui teve a sua lição
Na mentira dos outros reforça
A verdade na fé do irmão
Que esperava um dia saber
Mas um dia não soube esperar
E quebra o silêncio da sala
Por tempos viveu afastado
Dessa cena onde a arma é a fala
Ele espera um dia saber
E um dia saber esperar
Mergulhado em prazer solitário
Sua imaginação ameaça
O saudável irmão tem medo
Que seu grito arranque a mordaça
Procurado, vendido, perdido
Ele aqui teve a sua lição
Na mentira dos outros reforça
A verdade na fé do irmão
Que esperava um dia saber
Mas um dia não soube esperar
* Letra de Renato Ladeira com música gravada em 1982 pelo grupo Roupa Nova
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O problema em ser você mesmo
Descobri ter um problema grave. Gravíssimo. Sou eu mesmo. E você me pergunta de imediato: que tem de errado em ser você mesmo? E eu retruco. Eu não posso ser eu mesmo. Tenho que ser todo mundo mesmo.
Pra não ficar só na elucubração, me explico agora. Sou negro, franzino e de visual não convencional. Digo que faria muito sucesso como personagem de Hair ou se estivesse vivendo no começo dos anos oitenta (de onde tiro meus principais ídolos; isso explica alguma coisa).
Mas não. Sou uma presa perfeita para a hostilidade e a covardia.
Na última e mais grave manifestação dessa covardia, estava de caminho para visitar uma grande amiga minha, quando decidi pegar uma rua de uma comunidade vizinha à dela pra não ir pelo caminho de barro. Evitei o barro, mas me imergi na lama. Havia uma pequena aglomeração de pessoas. Deviam estar todas embriagadas (provavelmente não) aproveitando seu domingo ao som da música do momento.
Quando passei na ida, eles não fizeram cerimônia em comentar sobre o meu cabelo despenteado e de volume avantajado. Até aí tudo bem. Alguns reagem assim com a surpresa e/ou a euforia. E segui em frente sem olhar pra outra direção que não para a frente, como sempre faço. Chegando à casa da amiga, vi que não havia ninguém em casa. Que pena. Pena maior, contudo, foi a que recebi pela decisão que tomei.
Pensei em tomar o caminho do barro (que não estava tão lamacento assim) para evitar cruzar com aquele tipo de gente, mas argumentei que devia retornar pelo mesmo caminho justamente pelo mesmo motivo. A verdade é que eu não gosto de me esconder de ninguém por medo de me discriminarem. Se não, eu nem andava de metrô todo dia. E retornei pelas mesmas vielas.
Qual não foi a minha surpresa ao passar perto daquela aglomeração! Fui recebido com as mesmos comentários de sempre, mas do nada vejo um indivíduo acender uma bomba (daquelas de São João de potência média) e jogar na minha direção. Bem no meu pé, quando eu desviei como se estivesse sendo surpreendido por um monte de bosta no chão.
Os comentários ainda continuaram e eu ouvi um cínico "foi mal" vindo da aglomeração, que já ficava para trás. Olhei de volta... olhei... e continuei. E foi isso.
A uma manifestação desse tipo, numa escola, se dá o nome de Bullying. Intimidação do mais forte pelo mais fraco; do grupo contra o indivíduo; do maior contra o menor. E fora da escola? Tem nome?
O episódio me deixou mais reflexivo do que furioso ou mesmo atemorizado. O que leva pessoas fisicamente adultas a se comportar desse jeito, hostilizando uma pessoa fisicamente desavantajada, pacífica e desconhecida? O diferente pode causar ódio? Por quê? Eu ponho em xeque as convicções que eles têm? Ou foi apenas uma diversão instantânea inconsequente que eles arranjaram em meio à frustrante situação em que se situam? Ainda agora me ponho a pensar.
Esse tipo de manifestação, me disseram uma vez, não deveria me mobilizar tanto. Mas a questão pode ser sim aprofundada e se refletirmos sobre essa pequena questão poderemos tirar algumas conclusões mais gerais sobre o comportamento do grupo frente a uma ameaça aos seus costumes estabelecidos.
Eu seguirei muitas e muitas vezes pelo mesmo caminho, procurando a resposta para essas e outras perguntas (mais complexas do que parecem) ou apenas pensando numa boa conversa com a minha amiga.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Ainda sofisticado
Não te perco, minha poesia
Te encontro em cada entardecer
Também o faria ao amanhecer
Se contigo tanto não sonhasse
Perdendo o raiar do dia
Vejo-te às cinzas em dia nublado
No auge quando da tarde quente
Nunca, te digo, ausente
Estarás da minha caneta
Pois que estou enamorado
Te canto versos, minha amada
Como cantasse ébrio à vida
Como já estivesse decidida
No fado da minha fortuna
Com fim sem data marcada
Te digo mais, minha preciosa
Que te tenho como a mim mesmo
Que te escolhi como que a esmo
Mas nunca vira tal boa sorte
Qual nossa história venturosa
Assinar:
Postagens (Atom)
