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Jovem, estudante de Ciência da Computação na UFPE. Tem sede de conhecer e de ser conhecido pelas suas idéias. Esqueça a exatidão e o método; venho mostrar minha cara, minha música, minha poesia, meu âmago escancarado e arreganhado.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Epístola do cachorro fujão

É tão ruim essa solidão, minha dor me corrói por dentro. Desde que saí de casa e deixei os cuidados da madame Mir, não sei o que é sossego nessa minha vida tão curta e tão canina. Passo frio, fome, sobro maus-tratos, desprezo.

Não sou cão ingrato. Não. Reconheço que os cuidados da madame eram os melhores que se poderiam dar ao cachorro. Comia bem, dormia bem, brincava, esbaldar. Vida de fidalgo, de fato.

Por que abandonei os cuidados de Mir? Ainda não sei direito, mas de uma coisa tenho certeza: não me arrependo do que fiz.

Aqui longe ninguém me amparou. Não trago coleira no pescoço, mas sou um cão muito honesto, honestamente falando. Mas coleira é coleira; se você não tem, não te julgam, mas te condenam sumariamente. Meu pêlo cresce e cresce sem que seja aparado. Cresce. "Com tanto pêlo, de boa família não provém. Cruzes!" Pois que provenho. Sou um cão que sabe ler e escrever. Tenho educação suficiente pra redigir uma carta.

Tenho sonhos ainda. Sonho viajar com os amigos, nadar livre por um rio, de água fresca. Ser alguém. Alguém que não se arrependeu de viver mesquinhamente a metade, ainda que morrendo de velhice. Viveria só a metade boa. Sem frustrações, sem dilemas. Decidi entrar no livre comércio da vida, onde se negocia a liberdade com a responsabilidade. Digo que com a madame Mir nunca seria pleno.

Dói a solidão. Dói sim. Mas sei que quando não só mais estiver, me farei rodeado de cães honestos como eu. A plenitude não tarda a chegar.

1 pitacos:

Carla disse...

Passei por aqui...
Falta-me somente um tiquinho de tempo pra apreciação do blog, pastel .(?!?!?)

Eu volto.

:D